sábado, 23 de março de 2013

Análise: 20 anos da Pedagogia da Alternância na Transamazônica - Pará

No decorrer de 2013* em várias datas lembraremos momentos significativos das origens da Educação do Campo nas regiões sudeste e oeste do Pará, às margens da Rodovia Transamazônica (BR 230), nas regiões de Altamira e Marabá, trataremos aqui desta última. 
Os registros cita o francês Pierre Gilly (Assessor da Associação Regional das Casas Familiares Rurais – ARCAFAR Sul) com passagens nestas duas regiões apresentando os elementos pedagógicos das Casas Familiares Rurais (CFRs).

As organizações implantaram em 1995 no município de Medicilândia a primeira Casa Familiar Rural (CFR) formação de jovens agricultores/as que utiliza a Pedagogia da Alternância. Depois foi criada a Associação Regional das Casas Familiares Rurais – ARCAFAR Norte e Nordeste, as CFRs se espalharam em o todo estado através de convênio com o Governo do Estado e BNDES, destaque para o programa da Fundação Viver Preservar Produzir (FVPP/Altamira).
O marco inicial da Escola Família Agrícola (EFA) e da Educação do Campo na região de Marabá é o I Encontro de Jovens Camponeses, realizado em outubro de 1993, pela Fundação Agrária do Tocantins Araguaia (FATA) no âmbito do Programa Centro Agroambiental do Tocantins (CAT), em conjunto com seus Sindicatos dos/as Trabalhadores/as Rurais (STTRs). 
No Pará a primeira EFA está localizada em Afuá esta mantém articulação com Rede do Amapá, criada em 1992. 
A EFA iniciou seu funcionamento em 18 de março de 1996 (manteve seu funcionamento até 2011), formou vários jovens em agricultores/as técnicos/as ou agentes de desenvolvimento rural sustentável fundamentada na Pedagogia da Alternância, colaborou com a construção da Educação do Campo na região, serviu de base para o nascimento do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA – Campus Rural), esta instituição desenvolve cursos de Educação Profissional em níveis médio e superior para os camponeses e indígenas populações historicamente agredidas pelos grandes projetos de interesse do capital.
As EFAs não conseguiram se expandir na região sudeste do Pará, houve discussões e tentativas de funcionamento, mas, somente em Parauapebas a partir de 2002, foi implantada uma escola que passa por dificuldade por falta de espaço e apoio institucional da Prefeitura. 
As Conferências, o Fórum Regional e as organizações tem permitido continuar a história rumo a uma Política Pública de Educação do Campo, em Marabá e região Araguaia - Tocantins, na floresta, na aldeia, no acampamento, no assentamento, ou seja, para os/as camponeses/as e indígenas.
Considerando o êxito da Pedagogia da Alternância nascida na França em 1935, no Brasil em 1969, e no Pará na década 1990, com seus avanços e desafios, o projeto continua vivo, e será retomado a sua Articulação na região de Marabá.
Para comemorar os 20 anos da Pedagogia da Alternância em Marabá serão feitas as seguintes articulações: 
- Debater com o movimento sindical camponês Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Pará (FETAGRI-PA) Regional Sudeste e Fundação Agrária do Tocantins Araguaia (FATA) e outras entidades ligadas à Reforma Agrária e a Agricultura Familiar (FERA); 
- Articular arranjos institucionais com a Prefeitura Municipal de Marabá (Secretarias de Agricultura, Meio Ambiente e Educação), Governo do Estado (Agricultura/SAGRI, Educação/SEDUC, IDESP e Extensão Rural/EMATER) e Universidade Federal do Pará (UFPA) através dos seus organismos: campus local, Ciência Agrárias/NCADR entre outros. Objetivando o funcionamento de um programa semelhante ao Centro Agroambiental do Tocantins (CAT) coordenado por mais de 10 anos pelo sociólogo Jean Hébette. 
- As ações começarão com o funcionamento da EFA (que receberá o nome de um pesquisador que estuda o campesinato da Amazônia) voltada para proporcionar Educação do Campo Básica (Ensino Fundamental) para jovens rurais, com a consolidação das parcerias terão Formação Sindical, Extensão Rural e Universitária entre outras. 
- Realizar em outubro de 2013 um Encontro de Jovens Camponeses para celebrar os 20 anos da Pedagogia da Alternância na região e discutir o “Projeto Futuro do Jovem” considerando o contexto atual com forte avanço do capital através de seus grandes empreendimentos minerais, hidrelétricos, madeireiros. Este evento poderá ser junto com a região de Altamira, ideia ainda a ser discutida. 
Lançada a semente, vamos ajudar no debate, defesa e consolidação desta utopia. Na luta por uma política pública de Educação do Campo, com ações na Básica e com a Pedagogia da Alternância.

Damião Solidade dos Santos


Sobre o Autor: Damião é professor na Rede da Secretaria Municipal de Educação de Marabá (SEMED) e Extensionista Rural da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (EMATER-PARÁ). dsolidade@bol.com.br

* Publicado originalmente no Jornal Opinião, Marabá– Pará, 24 e 25 de janeiro de 2013, Edição: 2283, p. 2. Foto: Acervo Pessoal do Autor.

0 comentários:

Postar um comentário