sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Criada Frente Parlamentar da Educação do Campo


Na solenidade de lançamento, o diretor do Departamento de Assistência Técnica e Extensão Rural da SAF - Secretaria da Agricultura Familiar do MDA - Ministério do Desenvolvimento Agrário, Argileu Silva, destacou que por meio da Frente Parlamentar será possível dar passos firmes na construção de uma proposta efetiva de educação para o campo. "O estereótipo de que o rural é sinônimo de atraso está sendo superado. Um dos nossos grandes desafios agora é trabalhar em um marco legal para que o estado brasileiro possa aprofundar o debate desse tema, e apoiar uma pedagogia de alternância que dialogue com o tema".
Argileu Silva destacou que nos últimos oito anos, a SAF e a SDT - Secretaria de Desenvolvimento Territorial do MDA, investiram mais de R$ 62 milhões nas escolas de alternância. O ensino em alternância promove o desenvolvimento local por meio da formação global dos jovens e adolescentes nas áreas rurais. Este sistema é composto por: associações, constituídas por pais e outros atores locais que compõem os CEFFAs - Centros Familiares de Formação de Alternância, que aplicam a pedagogia da Alternância.
O presidente da Frente Parlamentar, deputado federal Padre João (PT-MG), disse que a expectativa é universalizar uma proposta no governo de incentivo para que os jovens rurais possam retomar os estudos por meio de uma educação diferenciada. "Atualmente, está acontecendo o papel inverso: os jovens saem do campo para estudar nas grandes cidades. A Frente chega para mudar essa realidade", enfatizou. A Frente busca destacar, ainda, que a educação no campo é um tema fundamental para um Brasil sem miséria.
A diretora de Políticas para Educação do Campo e Diversidade do MEC - Ministério da Educação, Viviane Faria, com a Frente será possível avançar na discussão da educação no campo, focada na melhora da qualidade do ensino para as pessoas do meio rural. "Não só de transmissão de conhecimento, mas uma educação focada na cultura e também nos saberes locais", destacou.
A Frente Parlamentar pela Educação do Campo vai contar com uma comissão de apoio técnico, que será composta por um assessor de cada um dos 214 deputados federais que a integram. A missão da comissão é criar, junto com os movimentos sociais, estratégias de fortalecimento direcionadas à educação dos trabalhadores rurais.
A estudante Mariana Silva, 15 anos, e mais 36 estudantes do meio rural, cursam o 1º ano do ensino médio na EFAORI - Escola Família Agrícola de Orizona. Presente na solenidade, muito sorridente, ela mostrou seu entusiasmo e expectativa. "Espero que a Frente seja boa para a escola". 
"O campo não é um lugar apenas para se produzir comida. É um lugar para se produzir também cultura e valores. A educação não é mais a transmissão ou retransmissão do conhecimento. A educação é a construção coletiva do saber no campo, para o campo, ou do campo", lembrou o secretário executivo da UNEFAB - União Nacional das Escolas Famílias Agrícolas do Brasil, Luiz Peixoto.
"Não vou sair do campo pra poder ir pra escola. Educação no campo é direito não esmola". O poema foi citado durante o lançamento da Frente Parlamentar pela representante da Via Campesina, Antônia Vanderlucia. No ato, ela enfatizou a necessidade de se promover uma educação no campo diferenciada. "Nosso desejo é que essa Frente seja a grande zeladora da educação no campo, que eleve a autoestima dos camponeses, que por muitos anos foram excluídos de uma política de educação decente". E questionou "qual a educação no campo que a gente quer construir de fato nesse país?", ao falar do importante papel que a Frente vai desempenhar também na luta pela erradicação do analfabetismo no campo.
Para o representante da CONTAG - Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, José Wilson Gonçalves, a educação precisa ser a política central de desenvolvimento sustentável para o campo. "A Frente chega nesse momento, ela será o braço forte no Parlamento para consolidar esse desejo", destacou. "A nossa busca é por uma educação que olhe para a nossa comunidade camponesa, respeitando a nossa identidade. É preciso pensar numa política focada no desenvolvimento social, sustentável e econômico do nosso rural brasileiro", completou a presidente da Fetraf - Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar, Elisângela Araújo.
Na segunda parte do ato solene foi realizado um debate técnico. O Pronera - Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária foi citado como uma experiência de sucesso de educação do campo. Instituído em 1998 pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e coordenado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o objetivo é fortalecer a educação no campo nas áreas de reforma agrária, promovendo o acesso à educação formal em todos os níveis.
Em 13 anos de existência, já foram formados por meio do Programa cerca de 500 mil assentados, em ações de educação de jovens e adultos, ensino fundamental e médio, cursos profissionalizantes de nível médio, superior e especialização. "A educação é um tema central no tema do combate à erradicação da miséria. Com educação, as pessoas do campo terão potencial para decidir qual caminho percorrer para sair dessa condição", ressaltou a coordenadora nacional do Pronera, Clarice Aparecida dos Santos.

FONTE: Ministério do Desenvolvimento Agrário.
FOTO: Chirliana Souza/ MDA.

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